Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro.
Exatamente assim.
Não encontrei frase melhor pra usar nesse momento.
Às vezes tenho vontade de chegar e perguntar qual é a sua. Perguntar por que você não é mais claro, mais transparente, mais fácil de entender, mas devo admitir também que gosto desse quê de mistério que você tem; desse negócio de buscar entender o que se passa na sua cabeça; de desvendar esse mistério todo...
Uma hora eu penso que você quer, mas não demora muito pra eu mudar de idéia. Mas que droga! Os sinais que você me dá me confundem totalmente. Confesso que eu sou um pouco assim. Meio misteriosa, reservada, sem demonstrar de uma vez só o que se passa na minha cabeça.
Penso também que às vezes você pode esperar de mim o mesmo que eu espero de você. Já que eu nos julgo “parecidos”, você também pode esperar os meus sinais. Pode esperar que eu seja mais clara. Mas e agora, como saber?
Penso também que sei mais coisa sobre você do que você saiba de mim.
Ah como eu queria ler pensamentos só por um minuto. Como eu queria ter esse poder! Mas também se eu tivesse, acho que nem teria tanta graça, pois, repito: o gostoso está em descobrir. Se eu soubesse o que você pensa, eu faria tudo certinho, mas não teria muita graça. Estaria tudo ali, como se fosse em um manual... Acho melhor continuar fazendo as coisas do meu jeito. Ainda que eu erre, pelo menos vou aprendendo e posso ir, aos poucos, descobrindo uma maneira de desvendar a sua mente.
Eu poderia entender isso de uma outra forma, que esse jogo duro que você faz, simplesmente signifique que já passou, que não foi nada importante ou que não merece acontecer novamente, e deixar esse negócio de lado como muitas vezes pensei em fazer; você não tá ajudando nem um pouco fazendo esse jogo duro. Extremamente duro e que me cansa, contudo, também me motiva. Quer coisa melhor do que ser motivado a conquistar algo ou alguém?
Pois bem.
Teu olhar não me diz exato quem tu és, mesmo assim eu te devoro.
Exatamente assim.
Um olhar que me confunde mais do que os sinais que você dá. Será possível?!
Olha como quem quer A depois olha como quem quer B e pior do que isso, só quando você olha como quem quer as duas coisas! Bom, pelo menos você olha de um jeito diferente. É uma delícia tentar adivinhar o que aquele olhar significa. Nossa, eu gosto muito disso... tudo tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil. Como alguém consegue prender tanto a minha atenção?
Eita olhar misterioso. Eita homem misterioso. Eita garota teimosa!
Se fosse outra já teria desistido e se irritado com tanto cadeado nesse baú. Ora, ora, desistir pra que? Eu quero o tesouro, não quero?
Então. Ainda que eu fique confusa com tudo isso, ainda que você me confunda com as palavras que (não) diz, com os gestos que (não) faz, com os sinais e olhares que (não) dá, eu devoro! Devoro mesmo. Devoro bastante. Devoro muito e faço isso com gosto, porque eu preciso me alimentar.
Queria poder dizer assim pra você:
Não tenho sede de vingança. O que eu tenho é fome. Fome de você.